Contradição: política educacional baiana atacada por ACM Neto é usada em Goiás por Caiado

Contradição: política educacional baiana atacada por ACM Neto é usada em Goiás por Caiado

Ao tentar criticar a política de educação do Governo da Bahia, ACM Neto entra mais uma vez em contradição. O ex-prefeito de Salvador voltou a dizer que a progressão parcial da rede estadual funciona como “aprovação automática”, mas ignora que o mesmo sistema é aplicado por Ronaldo Caiado, em Goiás. Enquanto apresenta o estado goiano como referência na área da educação, ACM Neto omite que a política que condena na Bahia integra a rede pública goiana há 28 anos.

Há dois meses, ACM Neto esteve em Goiás para, segundo ele próprio, se inspirar nas políticas educacionais do estado de Caiado para aplicá-las na Bahia. O que o ex-prefeito não explicou nas redes sociais é por que o modelo é aceitável quando usado por Ronaldo Caiado, mas vira escândalo na Bahia.

ACM Neto ainda desconsidera os efeitos positivos que a política educacional traz para os estudantes baianos. O abandono no ensino médio nos colégios estaduais baianos caiu de 12,9% para 3% entre 2022 e 2025. Enquanto isso, a reprovação recuou de 16,3% para 4,6% e a distorção idade-série passou de 41,3% para 24%. No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a rede estadual avançou de 3,2, em 2019, para 3,5, em 2021, e 3,7, em 2023, dado mais recente disponível.

Assim como em outros 18 estados brasileiros, a política adotada pela rede estadual da Bahia parte do princípio de que dificuldades em algumas disciplinas não devem interromper toda a trajetória escolar. A progressão parcial permite a continuidade dos estudos mesmo quando há pendências, desde que essas sejam sanadas posteriormente, evitando que o aluno tenha de repetir integralmente o ano letivo e diminuindo o abandono das escolas.

Esta não é a primeira vez que o grupo político liderado pelo ex-prefeito mostra desconhecimento sobre a condução da educação na Bahia e no Brasil. Recentemente, o pré-candidato bolsonarista ao Senado, João Roma, atacou o modelo adotado por governadores que integram o seu partido político, o PL, em estados como Rio de Janeiro e Santa Catarina. Em São Paulo, o modelo também é utilizado. Assim como ACM Neto, Roma adota um discurso que muda conforme o estado e o grupo político envolvido, criticando na Bahia uma política semelhante à implementada por seus aliados.

A política educacional baiana possui ainda outros programas que combinam permanência escolar, ensino e renda. O Bolsa Presença, que inspirou a criação do programa federal Pé-de-Meia, atendia 366.821 estudantes em abril de 2026, com repasse mensal superior a R$ 51 milhões. Somados, os programas de incentivo dos governos estadual e federal alcançam mais de 932,8 mil estudantes da rede estadual baiana.

Os resultados obtidos nos últimos anos indicam que a estratégia adotada pelo estado combina políticas de permanência, aprendizagem e proteção social para enfrentar a evasão e melhorar os indicadores educacionais. Nesse contexto, as críticas feitas por ACM Neto ignoram não apenas os resultados positivos na Bahia, mas também o fato de que mecanismos semelhantes são utilizados em estados governados por aliados políticos que ele próprio apresenta como referência nacional em educação.

Fotos: André Fofano

Sérgio Xavier

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