Em entrevista à Folha, Jerônimo projeta virada histórica de Lula e diz que ACM Neto “perdeu e vai perder de novo”
O governador Jerônimo Rodrigues (PT), reeleito para um novo mandato à frente da Bahia, concedeu entrevista à Folha de S.Paulo e apresentou a ofensiva para ampliar a votação do presidente Lula no estado no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). “Nossa expectativa é reverter para fazer uma virada que nunca houve na história do Brasil”, declarou.
A disputa opõe dois projetos diferentes na forma de tratar as pessoas, na relação com a democracia e na defesa da soberania nacional. Jerônimo rebateu a ideia de que esses temas soam distantes para quem se preocupa com o preço da comida. “É etéreo para quem não compreende o percurso de uma democracia. Quem viveu a ditadura de 1964 sabe do que se trata. Nunca imaginava que o governo pudesse dar uma casa a uma pessoa pobre, que pudesse ter asfalto numa zona rural”. O governador reconheceu ainda que o eleitor passou a cobrar mais do presidente. “Eu não digo que é uma frustração, mas é exigir do Lula algo mais. E isso é bom para a sociedade brasileira”.
As críticas mais duras ficaram para ACM Neto (União Brasil), derrotado na disputa estadual e que declarou apoio a Flávio depois de pregar o voto Lula-Neto. “Ele queria colar no Lula e já descolou tão rápido? Que fluidez, que interesse. Ele foi derrotado comigo, vai perder outra eleição com o Lula”. O resultado nas urnas abre caminho para a disputa pela prefeitura de Salvador. “Duas vezes eu derrotei o herdeiro. Esse resultado já é o pé na porta por dizer assim: nós queremos e vamos cuidar de Salvador”.
Jerônimo ainda classificou como grave a declaração de Flávio Bolsonaro sobre mudanças na Constituição. “Como uma pessoa, em uma eleição presidencial, diz que vai mexer na Constituição e não explica o que é isso? Todo mundo conhece o modelo golpista por trás deles, são golpistas”.
Para o segundo mandato, a prioridade de Jerônimo é universalizar a educação em tempo integral nos municípios e fortalecer a saúde e a segurança pública, em parceria com o governo federal. “Eu paguei uma conta com Bolsonaro. A expectativa do próximo mandato é com Lula”. Sobre a hipótese de vitória de Flávio, a resposta foi direta: “Ele vai perder as eleições”.
Crédito: Ricardo Stuckert
