Choro, revolta e prazos

Choro, revolta e prazos


Audiência pública sobre crianças com microcefalia esquentou o clima na Alepe

118 mães, vindas de todos os cantos do estado, junto com filhos e filhas, todos cadeirantes. Logística complicada, mas necessária para a discussão da falta de assistência a esses pacientes com microcefalia. O propositor da audiência, deputado estadual Gilmar Júnior (PV), fez o discurso de abertura e teve que pausar a fala mais de uma vez para conter a emoção.

“Quando recebemos Germana no gabinete vimos que não dá para essas famílias esperarem o tempo das licitações e publicamos o PL 1799/2024, que limita a espera da consulta inicial até a cirurgia em 45 dias, podendo ser reduzido para até 20. E a gestão pública precisa se planejar e se organizar para isso, é uma obrigação prevista na Constituição. Não adianta dizer que é complicado, porque complexidade muito maior é o que essas mães enfrentam, dedicando a vida ao cuidado diário e ininterrupto dessas crianças”.

Ele foi seguido pela presidente da ONG União Mães de Anjos, Germana Soares. A organização acolhe mais de 400 mães de crianças com microcefalia e denunciou o atraso da gestão estadual para realizar cirurgias ortopédicas de urgência em 138 crianças. “Lembro bem que o plano de governo de Raquel Lyra era o único que tinha propostas para o cuidado da pessoa com deficiência e nós achávamos que tudo ia mudar. Mas não foi assim. Será que somos o lixo da sociedade? Que não importamos? Quero dizer que podemos ser mulheres, mães, negras e pobres, mas não somos otárias! Vamos continuar lutando pelos nossos filhos até o fim, independente de lado A ou B, independente de governo, queremos os nossos direitos!”.

Estiveram presentes vários deputados estaduais, incluindo o presidente da Alepe, Álvaro Porto, que doou uma tonelada de alimentos à ONG, representante do Ministério da Saúde e médicos. O ortopedista Iuri de Brito falou sobre vários pontos que precisam ser corrigidos: “Todo hospital do estado deveria ter uma parte voltada para o agendamento pediátrico, para não sobrecarregar o Otávio. Precisamos descentralizar. Além disso, as placas para as cirurgias que o governo dispôs não é a mais adequada para as crianças. Do jeito que as coisas estão andando não conseguiremos fazer todas as cirurgias até o final do ano!”.

A secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti, convocada para a reunião, depois de ouvir muitas críticas à gestão, inclusive, da própria população, comprometeu-se e deu prazos. De acordo com a gestora, dentro de 15 dias, serão fechadas parcerias com hospitais filantrópicos e privados para desafogar o Hospital Otávio de Freitas e diminuir o tempo de espera dos pacientes. A gestora também afirmou que as cirurgias não vão mais parar e que em, no máximo, 20 dias vai apresentar à Alepe um cronograma de realização das cirurgias, para que as famílias possam ter estimativas e se programar.

“A partir de agora, Germana, estou 100% à disposição para lutar com vocês por essa causa e não durmo mais até que isso se resolva. Vamos fazer, não somente uma onda de luta, mas um tsunami: eu e todos os deputados que se entregaram à causa. A partir desta audiência escrevemos, hoje, o início de uma nova história!”, concluiu o parlamentar.

Sérgio Xavier

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