-COLUNA BLOG DO SÉRGIO XAVIER- QUARTA (07/09) Artigo : Análise da pesquisa eleitoral para presidente
LULA
28/08 — 43% (FSB) | 42% (MDA)
29/08 — 44% (IPEC) | 43% (IPESPE)
30/08 — 41% (PARANÁ) | 44% (PODERDATA)
01/09 — 45% (DATAFOLHA)
05/09 — 42% (FSB) | 44% (IPEC)
BOLSONARO
28/08 — 36% (FSB) | 34% (MDA)
29/08 — 32% (IPEC) | 35% (IPESPE)
30/08 — 37% (PARANÁ) | 36% (PODERDATA)
01/09 — 32% (DATAFOLHA)
05/09 — 34% (FSB) | 31% (IPEC)
Nem surpreende tanto assim o fato de os índices aferidos pelos institutos de pesquisa se aproximarem tanto. Ao fim e ao cabo, estamos em um cenário de voto cristalizado que é resultado da anterioridade do debate político e eleitoral. Ora, Jair Bolsonaro está em campanha pela reeleição desde o dia 1º de janeiro de 2019, enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi colocado na condição de candidato em potencial já nas eleições de 2018, função oficializada somente na disputa eleitoral deste ano. Até o ex-ministro Ciro Gomes não representa necessariamente uma novidade, já que disputou a última eleição e manteve suas atividades partidárias com frequentes aparições na grande mídia e nas redes sociais ao longo desses quatro últimos anos.
Em resumo, o eleitor nunca esteve tão certo de que irá votar, e em quem, porque já conhece muito bem o que pensam os principais postulantes ao Palácio do Planalto. Teremos, ao que tudo indica, uma eleição com elevadíssimo índice de participação, o que dará ao eleito toda a legitimidade conferida pelas urnas numa democracia de representação direta, como é a brasileira.
Salvo aquelas situações inesperadas, como o acidente aéreo que vitimou o ex-governador Eduardo Campos durante a sua campanha eleitoral em 2014, bem como a facada que quase ceifou a vida do então candidato Jair Bolsonaro, em 2018, dificilmente teremos uma mudança substancial no cenário eleitoral que se apresenta neste 1º turno.
Falando sobre índices, os números dos últimos dias representam notícias ruins ao atual ocupante do terceiro andar do Palácio do Planalto. Mesmo com pacotes sociais eleitoreiros, a máquina administrativa nas mãos e do remanescente antipetismo (ou antilulismo), Jair Bolsonaro não assiste aos seus índices crescerem consideravelmente nem na eventualidade de uma segunda volta, porque o teto parece ter sido delimitado em seu elevadíssimo índice de rejeição. Ademais, a ausência de candidaturas competitivas pelo lado da tal “terceira via” também limita o seu espaço de crescimento.
Sobre o ex-presidente Lula, o grande “x” da questão refere-se à sua capacidade, ou não, de atrair para si o voto útil de nomes da centro-esquerda (em especial do pedetista Ciro Gomes) para tentar liquidar a fatura já no próximo dia 2 de outubro. Em uma eleição tão cadenciada como esta, de fato me parece que a eventual resolução em 2º turno poderia, sim, representar uma vitória momentânea do bolsonarismo e injetar ânimo numa campanha marcada, até o momento, por uma profunda apatia.
Ou seja, a máxima de que “o segundo turno é uma outra eleição” pode, de fato, se aplicar e fazer a temperatura dos debates (que se tornariam verdadeiros embates) subir consideravelmente, talvez ao ponto de lançar pitadas de incerteza a um resultado aparentemente já traçado.
Tiago Lima Carvalho
Bacharel em Relações Internacionais
Especialista em Direito Internacional
