Deputado Gilmar Júnior traz à tona denúncias de assédio eleitoral contra profissionais da Enfermagem
Parlamentar afirma que trabalhadores vêm enfrentando constrangimentos, pressões e até consequências profissionais após manifestações políticas; legislação protege a liberdade de escolha do eleitor
O deputado estadual Gilmar Júnior (PV), candidato à reeleição, trouxe às redes sociais um debate que ganha ainda mais importância na reta eleitoral: o assédio eleitoral nas relações de trabalho.
Representante da Enfermagem na Assembleia Legislativa de Pernambuco, o parlamentar afirma que vem encontrando dificuldades e barreiras durante atividades de campanha relacionadas aos serviços de saúde. Segundo Gilmar Júnior, em algumas instituições há resistência até mesmo à realização de panfletagens nas áreas externas e restrições envolvendo profissionais que recebem espontaneamente seu material de campanha.
Mas, segundo o deputado, o problema mais preocupante vai além das limitações impostas às atividades eleitorais: profissionais da Enfermagem relatariam medo de sofrer represálias simplesmente por manifestarem publicamente suas escolhas políticas.
De acordo com Gilmar Júnior, há trabalhadores que evitam publicar fotos ao seu lado, compartilhar conteúdos ou demonstrar apoio político nas redes sociais por receio de sofrer consequências no ambiente de trabalho.
“Estamos falando de profissionais que têm medo de dizer em quem votam porque precisam preservar seus empregos. A liberdade política não pode terminar na porta de um hospital”, alerta o parlamentar.
Relato de exoneração acende alerta
Entre os episódios relatados pelo deputado está um caso considerado especialmente grave: uma trabalhadora de determinada unidade hospitalar teria sido exonerada após aparecer em um dos vídeos publicados por Gilmar Júnior.
Segundo o parlamentar, a profissional simplesmente apareceu na gravação, sem que isso justificasse qualquer consequência sobre seu vínculo profissional.
O episódio, segundo Gilmar, reforça a necessidade de que situações de possível retaliação por manifestação ou associação política sejam apuradas pelos órgãos competentes.
“Quando um trabalhador começa a calcular se uma fotografia, uma postagem ou uma manifestação política pode lhe custar o emprego, nós temos um problema que ultrapassa qualquer candidatura. Estamos falando da liberdade de cada cidadão”, afirma.
Assédio eleitoral é assunto sério — e pode configurar crime
A legislação brasileira protege a liberdade de escolha política do trabalhador. O assédio eleitoral pode ocorrer quando há coação, intimidação, ameaça, humilhação ou constrangimento com o objetivo de influenciar ou manipular o voto, o apoio ou a manifestação política de trabalhadores.
A prática pode acontecer tanto no setor público quanto no privado e não se limita ao momento do voto: pressões, ameaças de prejuízo profissional e retaliações relacionadas à manifestação política podem ser objeto de investigação e responsabilização.
Dependendo da conduta praticada, além das repercussões trabalhistas e eleitorais, a coação pode enquadrar-se em crimes previstos no Código Eleitoral.
Para Gilmar Júnior, o debate precisa ganhar visibilidade justamente porque muitos trabalhadores permanecem em silêncio por medo.
“Emprego não pode ser instrumento de pressão política. Ninguém pode ser obrigado a esconder sua escolha por medo de perseguição. O voto é livre, a consciência é livre e o trabalhador precisa ter sua dignidade respeitada.”
Liberdade política também é direito do trabalhador
O parlamentar defende que os profissionais que se sintam coagidos, ameaçados ou retaliados documentem as situações e procurem os órgãos competentes.
Em pleno período eleitoral, Gilmar Júnior afirma que trazer o assunto à tona não significa discutir apenas uma candidatura, mas defender um princípio fundamental da democracia: nenhum trabalhador deve ser pressionado a apoiar, rejeitar ou silenciar sua preferência por determinado candidato para preservar seu emprego.
O alerta encontra respaldo nas próprias instituições responsáveis pela fiscalização das eleições e das relações de trabalho. Em 2026, Justiça Eleitoral e Ministérios Públicos intensificaram a mobilização nacional de combate ao assédio eleitoral, diante de práticas como ameaças de demissão, constrangimentos relacionados às preferências políticas e cobranças sobre o voto.
Para Gilmar Júnior, a mensagem aos profissionais da Enfermagem e aos demais trabalhadores é clara:
“Seu emprego não é favor. Seu voto não pertence ao seu chefe. E a sua liberdade política não pode ser negociada.”
