Em entrevista à CNN, Raquel Lyra evita antecipar palanque presidencial, destaca “virada de chave” em Pernambuco e reforça compromisso com entregas

Em entrevista à CNN, Raquel Lyra evita antecipar palanque presidencial, destaca “virada de chave” em Pernambuco e reforça compromisso com entregas

Em entrevista à CNN Brasil, em Brasília, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), evitou antecipar posicionamentos sobre apoios na disputa presidencial de 2026 e reforçou que sua prioridade é governar e consolidar os avanços estruturais iniciados em seu mandato. Ao longo da conversa, a chefe do Executivo pernambucano destacou a reconstrução da relação federativa com o governo federal, a retomada de obras estratégicas e o que definiu como uma “virada de chave” na capacidade de investimento e planejamento do Estado.

Questionada sobre eventual apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Raquel foi direta ao afirmar que o momento é de foco na gestão. “Só quem pode falar pelo presidente é ele mesmo”, pontuou, acrescentando que as discussões eleitorais ocorrerão no tempo adequado, a partir das convenções partidárias. Segundo ela, a população espera entregas concretas e melhoria na qualidade de vida, e não antecipação de disputas políticas.

A governadora ressaltou que, desde o início do mandato, priorizou a reconstrução institucional da relação entre Pernambuco e o governo federal. “Fui mais de 130 vezes a Brasília”, afirmou, ao lembrar que o Estado havia perdido protagonismo e acumulava obras paralisadas. De acordo com Raquel, a articulação com o presidente Lula e ministros como Rui Costa (Casa Civil), Jader Filho (Cidades) e Renan Filho (Transportes) permitiu destravar investimentos históricos.

Entre os projetos destacados estão a solução para o metrô do Recife, a retomada da Ferrovia Transnordestina, o avanço do Arco Metropolitano — considerado uma nova alternativa à BR-101 —, além de investimentos em mobilidade, saneamento e infraestrutura logística. A governadora enfatizou que as parcerias têm sido viabilizadas com recursos federais e estaduais, além de modelagens que envolvem a iniciativa privada.

“Arrumamos a casa, organizamos as contas e passamos a ter capacidade de investir”, afirmou, destacando que Pernambuco deve registrar, neste ano, o maior volume de investimentos da história proporcionalmente à receita corrente líquida. Segundo ela, o Estado saiu da condição de campeão em obras paralisadas para um novo ciclo de crescimento.

Na área social, Raquel citou indicadores positivos, como recordes na geração de empregos formais, aumento da renda média e redução da pobreza e da desnutrição. Mencionou ainda o programa que já serviu mais de 22 milhões de refeições, a criação do programa Mães de Pernambuco — que atende 100 mil mulheres em situação de vulnerabilidade com auxílio financeiro e prioridade em políticas públicas — e a construção de 250 creches com investimento de R$ 1 bilhão.

A governadora também destacou a compra de 2.100 ônibus escolares, classificando o programa como o maior do Brasil, além da ampliação da política habitacional, com 22 mil casas entregues, sendo mais de 60% destinadas a mulheres. “Não sou de fugir de problema. Coloco na mesa e busco aliados para resolver”, declarou.

Ao comentar o cenário partidário, Raquel elogiou a condução do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Segundo ela, Kassab tem construído um partido sólido, com presença nacional e liberdade para que os líderes estaduais definam as melhores alianças locais. “Ele é resiliente, respira política 24 horas por dia e tem dado autonomia para que a gente construa o que é melhor para Pernambuco”, afirmou.

Raquel destacou que o PSD já é o maior partido da história do Estado, com 76 prefeitos filiados, e ressaltou que eventuais decisões sobre candidaturas presidenciais ainda serão debatidas internamente. “O jogo da eleição acontece ao lado do jogo do governo. A maior entrega que posso fazer é cumprir o que prometi”, disse.

Primeira mulher a governar Pernambuco, Raquel também abordou os desafios da participação feminina na política. Lembrou que o Brasil tem apenas duas governadoras e defendeu maior presença de mulheres nos espaços de decisão. Segundo ela, políticas como hospitais da mulher, expansão de creches e programas voltados às mães demonstram como a presença feminina no comando amplia o olhar sobre prioridades sociais.

Sobre a polarização política, a governadora afirmou que sua trajetória é marcada pelo diálogo e pelo “jogo limpo”. “Nunca construí uma eleição destruindo biografias. Política é instrumento de transformação”, declarou, ao reforçar que sua energia está concentrada em garantir saúde, educação, segurança, mobilidade e acesso à água para a população.

Ao final, Raquel ainda exaltou a força da cultura pernambucana, mencionando o Carnaval, o São João e o cinema local, e defendeu a economia criativa como vetor de desenvolvimento e geração de emprego e renda.

Sem antecipar palanques ou alianças nacionais, a governadora deixou clara a estratégia: manter o foco na gestão, consolidar resultados e fortalecer Pernambuco institucionalmente. “Menos sobre nós mesmos e mais sobre a população”, resumiu.

Fala PE

Sérgio Xavier

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