NO DIA MUNDIAL DA ÁGUA, GOVERNO DE PERNAMBUCO DESTACA IMPACTO DAS POLÍTICAS DE AMPLIAÇÃO DO ABASTECIMENTO NA VIDA DAS MULHERES
Neste domingo, 22 de março, será celebrado em todo o mundo o 35º Dia Mundial da Água. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) durante a Conferência Rio-92. Este ano, o tema global proposto pela ONU – Água e Gênero – reforça um debate cada vez mais urgente: o impacto da escassez hídrica na vida das mulheres e como a falta de acesso à água atinge de forma desigual diferentes grupos da sociedade.
Em Pernambuco, a Secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento ressalta que esta realidade é ainda mais agravada nas áreas rurais, onde o abastecimento tem sido um desafio histórico. “Sabidamente, são as mulheres que concentram a maior parte das responsabilidades relacionadas ao uso da água — no cuidado com a casa, com os filhos, com o preparo dos alimentos para a família. Essa realidade, muitas vezes invisível, impõe uma rotina exaustiva, que rouba o tempo delas e limita as oportunidades delas trabalharem e estudarem. Diante disso, todas as nossas ações que visam a universalização do abastecimento d’água atingem e impactam frontalmente, de forma positiva, as mulheres”, avaliou Almir Cirilo, secretário de recursos hídricos e saneamento do estado.
Moradora do Sítio Curralinho, em São José do Egito, a agricultora Luciana Karla Florêncio conhece bem esse cenário. “A rotina da mulher já é pesada e com a falta d’água ela fica ainda mais difícil. A gente não tem tempo para cuidar da saúde, nem para descansar, porque precisa dar conta da casa e ainda buscar água, muitas vezes levando os filhos junto”, relata.
Ela explica que, além do desgaste físico, a escassez também interfere diretamente na autonomia financeira das mulheres. “Quando não tem água, a mulher acaba ficando presa em casa e dependendo mais do marido. Isso afeta a renda e a independência da gente”, afirma.
A realidade começou a mudar com a chegada de políticas públicas voltadas ao abastecimento em comunidades rurais. Em Curralinho, a implantação de um sistema de dessalinização trouxe água potável para o consumo diário e alterou significativamente o cotidiano local. “Hoje a gente vive outra realidade. Tem água de qualidade para beber e cozinhar. A comunidade está vivendo uma nova fase, com mais dignidade e mais oportunidade”, comemora Luciana. “Eu vejo como uma libertação. Antes, a gente vivia muito limitada. Agora, temos mais liberdade para viver e trabalhar”, completa.
INVESTIMENTOS – A experiência se repete em outras regiões do estado, onde investimentos em infraestruturas hídricas que reforçam o abastecimento têm reduzido desigualdades e melhorado a qualidade de vida, especialmente das mulheres. Para o secretário executivo de saneamento, Artur Coutinho, essas ações têm impacto direto na organização social e econômica das comunidades. “Levar água para onde não tinha, seja na cidade ou no interior, significa devolver tempo, saúde e oportunidades, sobretudo para as mulheres, que historicamente carregaram esse peso”, destaca.
E todas as ações fazem parte de um conjunto de investimentos englobados no Programa Águas de Pernambuco, que reúne uma carteira de R$ 6,1 bilhões destinados à ampliação dos sistemas de abastecimento e esgotamento sanitário em áreas urbanas e rurais, além de ações voltadas à segurança hídrica. Além disso, o projeto de concessão parcial regionalizada dos serviços de saneamento, que está em curso, prevê a injeção de R$ 19,1 bilhões em recursos privados, com foco no cumprimento das metas do Marco Legal do Saneamento, que estabelece a universalização do abastecimento de água e a ampliação dos serviços de esgoto até 2033.
Além do abastecimento, o Governo do Estado também investe em obras estruturadoras para reduzir os impactos de eventos extremos, como enchentes, que afetam de forma significativa famílias — especialmente mulheres responsáveis pelo cuidado com os filhos e com o lar. “Entregamos no último mês de dezembro a Barragem Panelas II, em Cupira, que era esperada pela população da Zona da Mata Sul havia 15 anos, desde as enchentes de 2010. Estamos com as Barragens Gatos e Igarapeba em obras e outros importantes empreendimentos entrarão em licitação em breve, como as Barragens Barra de Guabiraba e Engenho Pereira”, ressaltou o gestor Almir Cirilo.
Neste Dia Mundial da Água 2026, Pernambuco reforça que a universalização do acesso ao abastecimento não é apenas uma meta de infraestrutura, mas um passo fundamental para reduzir desigualdades sociais e promover mais equidade de gênero.
