Trump aciona Justiça dos EUA e liga Moraes ao caso Banco Master
A ofensiva internacional contra Donald Trump ganhou um novo e explosivo capítulo. Em ação protocolada na Justiça Federal dos Estados Unidos, empresas ligadas ao ex-presidente americano passaram a associar diretamente o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, ao chamado escândalo do Banco Master, ampliando o alcance de uma disputa que já extrapolou as fronteiras brasileiras e agora assume contornos de crise jurídica, política e diplomática.
O processo foi apresentado por representantes da Trump Media Technology Group, em conjunto com a plataforma Rumble, no âmbito de uma ação que questiona ordens judiciais emitidas por Moraes contra empresas de tecnologia sediadas nos Estados Unidos. O ponto mais sensível, porém, não está apenas no debate sobre liberdade de expressão, mas na narrativa construída na petição, que menciona relações financeiras envolvendo o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro, trazendo à tona suspeitas de conflito de interesses e fragilidades éticas no coração do Judiciário brasileiro .
Segundo os documentos apresentados à Corte americana, os advogados das empresas de Trump argumentam que o escritório ligado à esposa de Moraes teria firmado um contrato milionário com o Banco Master, instituição que posteriormente entrou em colapso e foi alvo de questionamentos regulatórios no Brasil. A petição sustenta que o valor do contrato — estimado em dezenas de milhões de reais ao longo de poucos anos — contrasta com a ausência visível de atuação jurídica proporcional, o que, segundo os autores da ação, gerou percepção pública de favorecimento e levantou dúvidas sobre a imparcialidade de decisões tomadas no STF em processos relacionados à instituição financeira .
Embora os advogados ressaltem que a menção ao escândalo ocorre formalmente no contexto da tentativa de notificação internacional do ministro, o efeito político do movimento é inegável. Ao levar esses fatos a um tribunal dos Estados Unidos, a empresa de Trump internacionaliza suspeitas que, no Brasil, permanecem cercadas por sigilo, silêncio institucional e ausência de explicações públicas convincentes. Na prática, o que se observa é a construção de um dossiê político-jurídico que coloca Alexandre de Moraes sob escrutínio fora do alcance direto do sistema que ele próprio integra.
Esse novo capítulo se soma a uma série de embates anteriores. Trump Media e Rumble já haviam acusado Moraes de extrapolar sua jurisdição ao impor ordens de censura e bloqueio de conteúdos a plataformas estrangeiras, violando princípios constitucionais americanos como a Primeira Emenda. Agora, ao adicionar elementos financeiros e relacionais à narrativa, a estratégia muda de patamar: deixa de ser apenas um conflito sobre liberdade de expressão e passa a tocar em integridade institucional, ética pública e possível abuso de poder .
Nos bastidores da geopolítica, o movimento é interpretado como parte de um redesenho mais amplo das relações entre conservadores globais e sistemas judiciais ativistas. Trump, que já declarou guerra aberta ao que chama de “deep state” e de elites judiciais politizadas, encontra no caso brasileiro um símbolo poderoso para sua retórica internacional. Para seus aliados, Moraes passa a representar um modelo de magistrado que concentra poderes, restringe liberdades e atua sem freios efetivos — exatamente o tipo de figura que o trumpismo busca expor e confrontar no cenário global.
No Brasil, o silêncio das instituições diante da escalada internacional chama atenção. Não há, até o momento, esclarecimentos públicos detalhados sobre o contrato citado, nem explicações formais sobre a condução de procedimentos sigilosos envolvendo o Banco Master. Essa ausência de transparência apenas reforça a percepção de que o cerco está se fechando, não por iniciativa interna, mas pela pressão externa de um sistema jurídico que não responde à lógica de proteção corporativa do STF.
O fato é que, goste-se ou não de Trump, a estratégia adotada por suas empresas inaugura um precedente inquietante: ministros de cortes supremas nacionais passam a ser questionados em tribunais estrangeiros não apenas por suas decisões, mas por suas relações pessoais e financeiras. Para o Brasil, isso representa um alerta severo. A crise institucional deixa de ser um debate doméstico e passa a afetar diretamente a imagem do país no exterior, sua segurança jurídica e sua credibilidade democrática.
A pergunta que fica não é mais se Alexandre de Moraes será alvo de críticas internacionais, mas até onde esse cerco irá — e se o sistema político e judicial brasileiro seguirá apostando no silêncio enquanto o mundo começa a olhar para Brasília com desconfiança crescente
