PSB em pânico: sem Lula por perto, João Campos teme encarar Raquel Lyra sozinho
Pernambuco virou peça de xadrez que ninguém quer mexer. Enquanto a militância do PSB tentava emplacar a narrativa de que Lula desembarcaria no estado nesta quinta-feira (17) para reforçar a candidatura de João Campos ao Governo, a agenda real do presidente aponta para bem longe daqui: Teófilo Otoni e Montes Claros, no interior mineiro. A “coincidência” não é acaso, é estratégia, e escancara o tamanho do desespero de um candidato que sabe, nos bastidores, que não tem fôlego próprio para segurar a disputa contra Raquel Lyra (PSD) sem se pendurar na camisa do petista.
O cálculo de Lula é frio e pragmático: metade do eleitorado que vota nele em Pernambuco também declara voto em Raquel. Nacionalizar a disputa estadual, colocando o presidente, para fazer campanha explícita por João Campos, é receita para perder votos dos dois lados, e ninguém em Brasília quer pagar essa conta por um candidato que, sozinho, não descola nas pesquisas.
Não é a primeira vez que o PSB vende otimismo sobre uma visita presidencial que nunca vem: em 2022, Danilo Cabral passou a campanha inteira prometendo Lula e terminou em quarto lugar. João Campos parece repetir o roteiro, só que com um agravante, dessa vez a pressa é ainda mais visível, diante de uma adversária com ampla aprovação.
Enquanto isso, Lula prioriza Minas Gerais, onde uma pesquisa Quaest recente mostrou Flávio Bolsonaro à frente dele pela primeira vez na corrida presidencial. Ou seja: o presidente tem incêndio para apagar no próprio quintal eleitoral e não vai queimar capital político bancando sozinho o vice-líder nas pesquisas em Pernambuco. Para o PSB, a leitura é dura de engolir: se Lula não vem nem para salvar o afilhado político, é porque a conta eleitoral simplesmente não fecha.
Resta à militância do PSB decidir se continua acreditando em notinha de bastidor ou se encara o termômetro real da campanha: João Campos precisa de Lula mais do que Lula precisa de João Campos, e essa conta, o Palácio do Planalto já fez.
